Mais um aumento no preço dos combustíveis atiçou a imaginação dos analistas e provocou profecias as mais desastradas. Teme-se que, a partir dai, desencadeie-se intensa onda altista, que prejudique ainda mais a população e jogue para os píncaros os preços de todos os gêneros. O que se observa, na realidade, é que a sociedade vai caminhando para uma situação de pânico, a cada novo reajuste no preço dos combustíveis ou toda vez em que são divulgados os números da inflação.

Ajuda a contribuir para esse sentimento a experiência anterior. Quando a sociedade já conheceu outras medidas anti-inflacionárias e acabou por ver-se condenada a sofrer ônus insuportáveis, parece natural que se mostre reservada quanto aos efeitos de novas medidas. Afinal, é sempre mais fácil aprender na dor e, esta, reconheça-se, não tem faltado para os brasileiros. Mesmo se a credibilidade governamental se revela vigorosa, não é por demais manter reservas, pelas razões já expostas.

Se, porém, à natural desconfiança aliam-se outros fatores, ai então se estabelece uma situação que não pode ser tratada com semelhante receita. É isso que a sociedade parece estar sentindo, ou seja, certa perplexidade, porque a inflação recalcitra e ao mesmo tempo certa suspeita a propósito de onde estão esses fatores que complicam mais o quadro. O resultado de tudo isso todos conhecemos. É hora de o governo, com a determinação que o tem caracterizado, procurar identificar quais os reais beneficiários da inflação e como eles vêm agindo, para tornar inócuo a iniciativa governamental de colocar ordem em nossa economia. Assim, o combate à inflação terá êxito e a sociedade poderá respirar aliviada.

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