Em seu segundo mandato na Assembleia Legislativa, a deputada estadual Janaina Riva (MDB) foi reconduzida à vice-presidência da Casa em uma eleição recente e que foi marcada pela mudança de voto “de última hora” entre alguns colegas. O fato fez com que a emedebista perdesse força na reta final da disputa, escapando de suas mãos o cargo de primeira-secretária, o qual almejava.

Em entrevista ao MidiaNews, a deputada admitiu ter sofrido uma derrota política, apesar de estar no comando do terceiro cargo mais importante do Legislativo. De todo modo, disse não guardar qualquer tipo de mágoa ou ressentimento daqueles que a preteriram e optaram pelo nome do deputado Max Russi (PSB).

Sempre com posicionamentos contundentes, Janaina lançou uma crítica ao presidente da Assembleia, Eduardo Botelho (DEM) – eleito pela terceira vez consecutiva. Ao defender a alternância de poder na Casa, ela citou até mesmo seu pai, o ex-deputado José Riva, que por mais de duas décadas ocupou cargos de comando no Legislativo.

“Vejo que aqui na Assembleia de Mato Grosso a gente precisa urgentemente criar uma alternativa para que não crie novos ‘Rivas’, novos ‘Botelhos’. A gente precisa ter uma alternância de poder porque isso é muito positivo para a democracia”, afirmou.

Vejo que aqui na Assembleia de Mato Grosso a gente precisa urgentemente criar uma alternativa para que não crie novos ‘José Geraldo Riva’, novos ‘Botelhos’. A gente precisa ter uma alternância de poder

Ainda durante a entrevista, a deputada fez uma análise sobre a relação entre o Governo Mauro Mendes (DEM) e o parlamento, a qual ela ainda classifica como um pouco “distante”. Também falou de suas impressões sobre o comportamento de Mendes e do prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (MDB) em meio à pandemia.

Confira os principais trechos da entrevista: MidiaNews – No dia 10 ocorreu a eleição da Mesa Diretora da Assembleia. A senhora sente que saiu derrotada do processo de escolha, tendo em vista que não conseguiu ficar com o cargo que pleiteava (primeira-secretaria)?

Janaina Riva – Das eleições que participei, acho que foi uma das mais democráticas. Vários fatores acredito que tenham me prejudicado e a gravidez não deixa de ser um deles, porque impossibilitou que eu ficasse lá na Casa. Nesse momento, numa disputa dessas é importantíssimo fazer presença, estar constantemente com os deputados. Talvez isso, na minha avaliação, foi o que mais me atrapalhou, a minha ausência em plenário. Fui perdendo muita força com o passar dos dias durante esse mês após marcada a data da eleição.

Não posso dizer que ficar na vice-presidência é uma derrota. É um cargo cobiçado, mas claro que gostaria de ter ficado como secretária, me candidatei para isso. Compor pra mim foi um pouco difícil, porque eu queria ir para um ambiente diferente, fazer um trabalho diferente, como eu achava que poderia fazer na secretaria. Então, não deixa de ser uma derrota política. Mas acredito que ficar na vice-presidência não pode ser considerada uma derrotada, é o terceiro cargo mais importante da Casa. Mas no projeto de ser secretária não deixa de ser uma derrota política.

MidiaNews – Ficou alguma mágoa com colegas que mudaram de opinião na última hora? 

Janaina Riva – Não. Já sou acostumada com essas disputas internas. Isso é natural. Como eu disse: acredito que minha ausência contribuiu muito pra isso, acabei ficando distante e sem saber o que estava sendo debatido. Não pude participar de muitas discussões porque ocorreram lá na Assembleia.

E, de certa forma, também foi uma opção minha porque eu poderia estar lá se quisesse. Mas eu decidi priorizar a gravidez, estava com muito receio do coronavírus. Até porque eu ainda não estava com meses suficientes de gestação para poder me colocar numa posição de risco. Então, foi uma opção que fiz e acho que isso atrapalhou. Não estando no dia a dia é mais difícil acompanhar como os colegas estão pensando.

Além disso, a maioria dos colegas que mudou de opinião foi buscando um espaço melhor pra eles. Isso pra mim tem que ser compreensível. Se um deputado quer ser presidente, vice, secretário, não posso querer vedar esse direito do colega criar essa expectativa e tentar construir esse projeto. Sou muito sincera e conversei com alguns que tinham uma expectativa maior de composição, principalmente os colegas que mudaram de opinião e disse a eles que como eles estavam idealizando era impossível. Mas eles acreditavam que podiam fazer uma chapa diferente. O que depois acabou não só me frustrando, mas também os frustrou na expectativa que eles tinham. Cheguei a ouvir de um colega: ‘Se eu soubesse que ia ficar assim, tinha continuado com a Janaina’. Ainda brinquei: ‘Mas eu te falei que ia ser assim’. Mas ressentimento, mágoa…não tenho.

MidiaNews – Mas de certa forma a senhora sente que ficou entre alguns deputados o sentimento de que eles foram enganados?

Janaina Riva – Acredito que sim. Houve algumas expectativas que não foram cumpridas.

A maioria dos colegas que mudou de opinião foi buscando um espaço melhor pra eles. Isso pra mim tem que ser compreensível

MidiaNews – Acredita na possibilidade de assumir o comando da Assembleia nos próximos anos? Muito se fala, por exemplo, de uma ida do presidente Eduardo Botelho para o TCE…

Janaina Riva – Vejo que a Assembleia precisa mudar um pouco, dividir um pouco mais as atribuições, fazer com que a Mesa circule mais. Algumas assembleias no País já têm até eleição todo ano. Vejo que aqui na Assembleia de Mato Grosso a gente precisa urgentemente criar uma alternativa para que não crie novos ‘Josés Rivas’, novos ‘Botelhos’. A gente precisa ter uma alternância de poder porque isso é muito positivo para a democracia. O que eu idealizava era justamente iniciar essa mudança agora pela secretaria e depois fazer uma construção para quem sabe, no futuro, ser presidente ou outro deputado se candidatar. Começar a fazer essa alternância é muito importante.

Como não foi possível, hoje eu não idealizo assumir a presidência, não crio expectativa porque não depende exclusivamente de mim. Muita coisa precisaria acontecer para eu assumir. E isso, claro, passa pela posição política do Botelho, onde ele pretende estar. A gente fala muito dessa vaga no TCE, mas ela ainda não existe. Não tem como discutir uma situação que não existe. Mas não é segredo pra ninguém que – havendo a vaga – o Botelho é o nome mais forte. Por uma somatória de fatores: é gestor da Assembleia, tem uma experiência de gestão comprovada. E também para fazer uma acomodação dentro da Casa e até a alternância que a gente defende tanto lá dentro.

Mas não crio expectativa de assumir. Não é uma coisa que acho que pode acontecer tão cedo. Mas me preparo para que, se acontecer, possa assumir a Mesa e dar continuidade no trabalho que a Mesa vem desenvolvendo. Estou preparada para assumir e para não assumir também.

MidiaNews – Houve interferência do Palácio Paiaguás nessa eleição?

Janaina Riva – Não vejo. Dessa vez, se houve, eu desconheço. Entre os colegas não ouvi ninguém falar que recebeu ligação ou pedido. Vi uma movimentação do líder do Governo [Dilmar Dal Bosco], que queria ser vice-presidente, mas não acho que esse era um trabalho do governo. É uma casa política e nada fica em segredo né. Se tivesse algo, creio que fiaria sabendo.

Vi apenas rumores de que o Executivo preferiria um nome alternativo ao meu e ao do deputado Max Russi. Mas só rumores, não senti isso por parte do Executivo. Até porque a nossa base não é tão grande. A oposição é muito maior do que era na legislatura passada, então acredito que o Governo preferiu não intervir para que não houvesse prejuízo ao grupo que hoje ele tem na Assembleia. Qualquer intervenção poderia ser muito ruim.

MidiaNews – Tão logo encerrou o processo, o presidente Eduardo Botelho rebateu as críticas do deputado Lúdio Cabral dando conta de que a Mesa Diretora tem sido submissa às vontades do Governo. A senhora concorda com esses apontamentos do Lúdio?

Janaina Riva – Hoje vejo uma Assembleia muito mais independente que no passado. Quando reunimos entre colegas, faço com eles algumas avaliações, como eu já estava no outro mandato vejo uma diferença muito grande. Alguns exemplos: a Assembleia ajuizar algumas demandas contra o próprio governo, isso nunca tinha acontecido e agora fez isso atendendo a pedido de deputado da oposição.

Antes, a oposição tinha respaldo zero. Hoje vejo, por exemplo, a Casa entrar na questão dos militares, na aposentadoria dos governadores, defender as suas legislações. Acho que a Assembleia melhorou muito nessa questão de independência. Já modifica muitas coisas. Tivemos aí um decreto derrubado. Isso durante os quatro anos da gestão Pedro Taques não aconteceu.

Mas é claro que existem algumas situações que precisam melhorar na defesa parlamento. O caso das emendas, por exemplo. Na minha opinião, não existe a Assembleia não fazer a defesa jurídica em cima da obrigatoriedade do pagamento das emendas. Isso é a liberdade do próprio deputado de oposição. É o deputado poder ter sua independência, poder se posicionar contra o governo sem ter uma ameaça com relação ao pagamento de sua emenda. Emenda é direito do deputado.

Victor Ostetti/MidiaNews

Janaina Riva

“Não existe a Assembleia não fazer a defesa jurídica em cima da obrigatoriedade do pagamento das emendas”

Vejo que as críticas não podem ser tão genéricas quanto as feitas pelo colega Lúdio, elas têm que ser mais pontuais. A emenda é algo que ainda deixa a desejar. Outra questão é a devolução de recursos que a Assembleia tem feito ao Executivo. Isso tem que ter uma definição da Assembleia. Estamos devolvendo dinheiro pra Saúde, mas devolver sem carimbar para onde vai, fica uma coisa meio inócua. Temos que fazer chegar à população para onde está indo o dinheiro, onde está sendo aplicado.

Enfim, são questões muito pontuais e não genéricas como o Lúdio argumenta. E quando o Botelho faz essa defesa do Parlamento ele faz muito bem feita porque nós não temos visto atropelo por parte da base. Isso demonstra que não temos uma Assembleia submissa. É uma Casa mais pensante e que analisa melhor as situações. Muito diferente do que já vivi. As vezes quem entrou agora tem uma visão diferente de quem estava lá. Vejo avanço em tudo e os avanços têm que ser graduais. Não dá para exigir uma mudança 100%, um radicalismo. As mudanças têm que ser feitas de forma que não tragam polarização. E, a cada legislatura que vier, a Assembleia se torna mais independente, porque você vai deixando no passado essas amarras políticas e algumas práticas que eram cruciais para o mandato e hoje não são mais.

MidiaNews – Ainda tratando da eleição, houve comentários de que a delação de seu pai, o ex-deputado José Riva, prejudicou sua eleição à primeira-secretaria, já que ele citou vários ex e atuais deputados como beneficiários de um esquema de “mensalinho”. Também tem essa visão de que esse fato lhe atrapalhou?

Janaina Riva – Acho que também é um dos fatores. Não sei se pelo teor do que foi dito. Talvez por um receio de voltar esse assunto à tona com minha presença na Mesa, talvez pensando que esse assunto ganhasse mais ênfase ou que chamasse mais a atenção pelo fato de eu estar no segundo cargo mais importante. Acho que tinha essa preocupação de alguns que achavam que minha presença poderia expor essa situação do passado. Não acho que esse tenha sido o fator principal, mas também foi um fator.

Tanto que entre os deputados citados, eu não tinha o apoio de nenhum. Mesmo eu dizendo que são CPFs diferente. Aliás, acho que nem preciso mais tentar demonstrar isso. Pesou muito pra mim, acho que eu não tinha mais essa disposição de ficar provando isso a todo momento. Porque eu vejo que em vários momentos que eles precisam que eu ajude em alguma articulação, isso nunca é levado em conta. Mas toda vez que se discute a Mesa Diretora esse assunto é pauta.

Então, talvez até eu ter ficado fora da secretaria nesses próximos dois anos, pessoalmente, pra mim, foi melhor. Porque aí eventualmente o que venha a acontecer eu acabo me isentando dessa responsabilidade não estando lá na secretaria. Se eles tinham alguma preocupação que algo pudesse ocorrer diferente, o ciclo vai correr de forma natural. Acho que a pressão se eu estivesse lá seria maior pra mim, no sentido de falar, me posicionar sobre. Como a delação foi homologada no início do ano e ainda tem muita coisa por vir, eles tinham essa preocupação de que poderia expor a Assembleia como um todo se eu estivesse na secretaria.

MidiaNews – A senhora admite que até nesses processos de disputa interna as questões envolvendo o seu pai interferem na sua vida. A sua imagem então não está totalmente descolada ou desassociada da dele?

Janaina Riva – Descolar totalmente é meio impossível – ele é meu pai. Ainda mais em um ambiente masculino como o meu, com 23 homens e uma mulher, talvez ainda seja difícil por essa cultura do passado de que homens mandavam em mulheres. Talvez por isso seja difícil fazer essa diferenciação. Não acho que tenho ali um colegiado machista, mas a gente sabe que culturalmente isso pesa muito, não só para mim, como para outras mulheres que ocupam cargos de poder.

Muitas vezes suscitam dúvidas de decisões de magistradas, de promotoras e muitas vezes elas são relacionadas também àquele que é seu companheiro ou alguma relação com alguém do sexo masculino. Isso ainda é comum para nós, mulheres. Acho que o que seja mais difícil pra mim é por ser filha mulher. Não vejo que tenha essa dificuldade, por exemplo, o Botelho com relação ao Luis Marinho [irmãos], o Dilmar Dal Bosco com o Dilceu Dal Bosco [irmãos]. São casos de parentes também, mas que vejo que por serem homens não suscitam as mesmas dúvidas de uma possível interferência.

Politicamente ouço muito isso de que as pessoas não fazem mais essa relação. Mas ainda sinto que isso ainda é uma barreira que não é fácil de se romper, não sei nem se é possível. E eu perdi um pouco esse entusiasmo de tentar provar alguma coisa. Depois de cinco anos [de mandato] acho que já não preciso mais provar nada a ninguém.

MidiaNews – A senhora disse que “muita coisa ainda está por vir” com a delação. Acredita em mais desdobramentos? Como viu a delação premiada de seu pai?

Janaina Riva – Prefiro não falar sobre as impressões que tenho, mas quando digo que ainda há muito por vir é justamente por ela ainda não ter se tornado pública. É uma delação sigilosa, não tenho noção do que pode acontecer.

É uma delação sigilosa, não tenho noção do que pode acontecer. Mas o receio dos deputados era muito grande

Mas o receio dos deputados era muito grande. Por isso que talvez ter ficado fora desse cargo nesse momento tenha sido até emocionalmente, psicologicamente, melhor. Minha presença lá para alguns colegas poderia dizer que de alguma forma eu influenciava em alguma coisa ou trouxesse mais holofote para essa situação. Não sei exatamente qual era a preocupação. Mas [sobre a delação] não acho que é muito diferente do que a população já conhece através de outras colaborações. A dele não é a primeira e nem deve ser a última.

MidiaNews – Qual o tipo de relação a senhora mantém com o seu pai em se tratando de política? Ele lhe dá conselhos, tenta influenciar em suas tomadas de decisões?

Janaina Riva – Meu pai me aconselha bastante. Ele gosta de falar para mim que quando ele acha que eu tenho que fazer alguma coisa, eu tomo o caminho contrário. Mas é porque nós temos visões de momentos distintos. Quando ele foi deputado a política funcionava de uma forma. E ela já mudou muito e vem mudando cada vez mais.

Então, minha relação é de filha com pai e mãe. A mesma relação que acredito que outros filhos tenham. Claro que a gente ouve tudo que é recomendado, tudo que o pai se preocupa até por ele já ter vivido, por já ter tido a experiência de estar ali. Mas nós somos muito diferentes em muitas coisas.

Não é que ele recomenda uma coisa e isso vira regra, mas claro que tem peso pra mim na tomada de algumas decisões. Quando estou preocupada eu me aconselho, mesmo que eu escolha outro caminho. Gosto de ouvir a opinião dele, até pela experiência que ele teve, tanto nas coisa boas como nas ruins. Tenho muito receio de incorrer em algum erro e gosto de ouvi-li por conta disso. É uma relação muito saudável. Acho que tenho um privilégio de ter uma pessoa com tanta experiência dentro de casa e que pode me ajudar.

Na maioria das vezes eu tomo decisão diferente do que ele pensa. A ida pro MDB, por exemplo, ele era totalmente contra. E hoje acho que tomei uma decisão muito acertada. A gente diverge muito. Ele acha que pra mim a Mesa não era algo bom, já penso diferente. Até para consolidar essa questão de que cada um tem sua cabeça, cada um faz do seu jeito.

Mas enfim, ele é alguém muito preocupado, carinhoso, que gosta de ter os filhos por perto. Mas sabe que nem ele, nem meu marido, nem ninguém manda em mim, muito menos em meu mandato. A decisão final é minha e ele nem tenta mudar isso.

MidiaNews – Falando um pouco sobre o mandato, atualmente a senhora se considera membro da base governista? 

Janaina Riva – Me sinto membro da base. Tenho, de certa forma, um pouco de dificuldade em algumas pautas. Penso muito diferente do Governo em algumas pautas, como é o caso servidores públicos, tenho uma visão diferente. Tenho divergências, mas me sinto parte da base, vamos dizer que em 80% das ações acho que o Governo age da forma correta, tem feito uma boa gestão. Ajudo nas votações, sempre fui muito ativa nessa questão de trabalhar o convencimento com os colegas, gosto de fazer essa articulação.

Acho que a relação ainda poderia ser melhor, mas vejo que é uma característica da gestão Mauro Mendes – como à época em que ele era prefeito também – esse distanciamento do parlamento. Ainda acho o Governo um pouco distante, pode melhorar essa relação com os deputados

MidiaNews – Então esse distanciamento é com os deputados de uma forma geral, nada pessoal contra a Janaina?

Janaina Riva – Com certeza. Do parlamento como um todo. Se fosse só comigo eu jamais permaneceria na base. Vejo que é uma característica do governador e da sua gestão. Não é coisa pessoal. Alguns deputados insistem um pouco mais, isso talvez até os aproxime um pouco mais, mas vejo que é uma dificuldade de vários deputados. Mais da metade da base tem uma dificuldade de relacionamento, mas é pelo perfil da gestão.

Acho que é uma questão que dá para melhorar até para ter uma base mais sólida. Em função dessa falta de proximidade, temos dificuldade em algumas votações, assuntos muito simples para serem resolvidos a gente tem perdido um pouco mais de tempo por conta desse distanciamento.

MidiaNews – Como analisa a condução do Governo e da Prefeitura em relação à pandemia do coronavírus? Parece que essa semana houve uma trégua…

 

A falta de sintonia [entre Mendes e Emnauel] fez com que antecipássemos algumas ações que agora seriam essenciais

Janaina Riva – Poderiam  ter trabalhado desde o início de forma conjunta, o cenário poderia ter sido diferente. Isso de forma técnica, mas também analisando a necessidade do Estado. Mato Grosso, demograficamente, é muito privilegiado [para conter o avanço desenfreado da doença]. Não tem favelas, não tem pessoas amontoadas, há uma certa distância entre os municípios, um Estado de tamanho continental. O Governo precisava ter trabalhado numa maior sintoma com a Prefeitura de Cuiabá e a Prefeitura numa sintonia maior com o Governo.

A falta de sintonia fez com que antecipássemos algumas ações que agora seriam essenciais. O isolamento, por exemplo, agora era hora de estarmos com números maiores de isolamento. Assim como acho que poderia ter feito de forma gradativa. Sou muito contra esses radicalismos de abre ou fecha. Acho que a gente poderia ter feito atendendo às recomendações da OMS sem ter fechado tantos comércios, empresas, enfim, trabalhado uma segurança maior aos grupos de riscos. Poderíamos ter tido maior êxito se houvesse união maior entre os dois.

MidiaNews – E a troca de farpas entre Emanuel e Mendes? Tem sido prejudicial em meio à crise sanitária?

Janaina Riva – Só criaram distâncias maior no relacionamento e trouxeram prejuízos. A falta de comunicação entre os dois acabou criando divergência de atuações e trouxe prejuízos ao Estado, especialmente à Baixada Cuiabana. Não dá para fazer muita análise agora se foi prejudicial ou não. Acredito que no futuro saberemos os reflexos dessa falta de diálogo entre os dois principais gestores. Tentei conversar com o Emanuel, sei que tentaram conversar com governador. Mas é muito difícil argumentar quando já se tem uma predefinição do que deseja. Mas a posição política dos dois trouxe muitos prejuízos ao Estado nesse momento.

MidiaNews – Qual a expectativa da senhora em relação aos efeitos econômicos desta crise pandêmica? 

Janaina Riva – Como eu disse, acho nosso Estado muito privilegiado, as principais economias se mantêm em pé mesmo durante a pandemia. Isso está demonstrado na própria arrecadação. Quase não perdeu receita. Uma das raras exceções no Brasil e no mundo.

Acredito numa rápida recuperação econômica do Estado. Alguns segmentos são mais preocupantes, como o turismo, as academias, o setor hoteleiro, restaurantes. Acho que o Estado tinha que fazer um projeto de injetar mais recursos nesses segmentos, dar uma freada nesse primeiro momento nos investimentos a serem feitos e concentrar nessa recuperação econômica. Mas vejo que Mato Grosso passará por isso de forma mais amena que outros estados do País.

MidiaNews – A senhora é defensora dos servidores públicos. O socorro do Governo Federal aos estados em meio à pandmeia pressupõe o congelamento dos salários. Como vê essa proposta?

Janaina Riva – Acho uma proposta preocupante. Às vezes as pessoas têm dificuldade de entender que o recurso público neste momento –  aí incluído o salário – é muito importante para continuar estimulando a economia. Inclusive uma das ações do Botelho – que achei sensacional – foi antecipar o 13º dos servidores da Assembleia. Isso para que a gente tenha uma recuperação do nosso comércio, que ficou muito tempo fechado. Então, você injeta dinheiro púbico, pagando dinheiro do servidor, no comércio e na iniciativa privada.

Acredito que o congelamento é uma atitude que talvez o Governo considere que tenha um grande impacto, mas na minha visão não é tão grande se comparado ao prejuízo que ele pode trazer. Podemos ter aumento da inflação, o servidor já está com salário defasado, funcionalismo público hoje muito endividado, com dificuldade de pagar suas contas, justamente por falta da recomposição dos últimos anos. Vejo que o congelamento veda essa recomposição e pode ser muito prejudicial se analisado no futuro. A gente pode enfrentar uma crise no funcionalismo público de falta de recursos muito grande.

MidiaNews – Sobre a eleição municipal, acha que o prefeito Emanuel Pinheiro é candidato ou deve recuar? Como está essa discussão no MDB?

Victor Ostetti/MidiaNews

Janaina Riva

“Não acredito que haja ambiente político para fazer um pleito eleitoral”

Janaina Riva – Ele é o candidato do partido. Nunca foi discutida no MDB a hipótese de outro candidato. Essa definição é dele se vai ou não ser candidato. A gente acha que a gestão teve muito êxito em muitas áreas. Tem muito a mostrar se vier a disputar. Claro que, como todos os demais, vai enfrentar dificuldades numa eleição em meio à pandemia. Não será fácil pra gestor nenhum.

Até por isso não acredito que haja ambiente político para fazer um pleito eleitoral. As pessoas estão extremamente desiludidas pela postura do poder público. Acho que seria muito mais prudente não fazer agora. Mas o Emanuel nunca deixou de ser o candidato do partido. Depende exclusivamente dele.

MidiaNews – Essa defesa da senhora em adiar o pleito, passa por uma defesa também da unificação das eleições e prorrogação dos mandatos dos prefeitos e vereadores?

Janaina Riva – No começo pandemia eu era totalmente contra a unificação. Hoje, analisando o quadro que o País vive, já começo a achar que unificação seja uma boa saída. Não só eu. Pelo menos tive acesso a uma pesquisa feita pelo meu sogro [senador Wellington Fagundes] que propôs essa PEC [pela unificação] e vi que isso está crescendo no País inteiro. Justamente pelo momento. Já havia esse desejo de fazer isso, sei que muita gente é contra porque os prefeitos concorreram para um mandato de quatro anos. Mas isso já ocorreu no passado. É um momento atípico.

A economia que isso representa, algo em torno de R$  6 bilhões, R$ 4 bilhões do plieto e, no mínimo, R$ 2 bilhões de fundo eleitoral. Esse momento poderia ser canalizado para restruturação do SUS no Brasil. Acredito que a unificação passe a ser sim um caminho. Eu era muito contra, já não sou mais.

Estou vendo algumas entrevistas do presidente do TSE [Luís Roberto Barroso] que ele fala, por exemplo, em fazer convenção on line. É muito bonito, mas perde a parte gostosa da política, o contato com a população. Como fazer o convencimento sem o diálogo? Acho que é uma irresponsabilidade realizar uma eleição em um ano como esse. Agora, claro, unificação desde que aprovada na Constituição, seguindo o que a Constituição determina. Não dá para querer fazer o TSE tomar uma decisão não levando em conta nossa Constituição.

MidiaNews – Qual futuro político a senhora almeja? Não acha que está na hora de tentar novos voos? Pretende ser governadora? Quando isso poderia ocorrer?

Janaina Riva – Eu ainda fico muito limitada pela questão da idade. Agora já mais de 30 anos já posso disputar o governo, vice. Acho que vai depender muito do que vai acontecer nos próximos dois anos da Assembleia. Não gostaria mais de disputar estadual. Já serão 8 anos.

Gostaria de respirar novos ares nas próximas eleições. Acho que seria importante pra mim. Como eu sempre disse, sonho de ser governadora – e que outros deputados também dever ter –  esse sonho permanece vivo dentro de mim. Depende muito do que vai acontecer nesses dois anos, mas quero trabalhar para isso, respirar novos ares e ter uma candidatura maior nas próximas eleições.

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