Desde que houve a confirmação do primeiro caso de coronavírus em Cuiabá, os supermercados têm enfrentando lotação, principalmente no período da noite. Além da escassez de álcool comum e em gel, já começaram a faltar frutas e legumes com a movimentação intensa. Para tentar acatar a orientação das autoridades, muitas pessoas estão comprando grande quantidade de alimentos não perecíveis para estocar em casa. Em conversa com funcionários dos principais supermercados da Capital, eles relataram o desespero das pessoas.

“Elas [clientes] agem como se o mundo fosse acabar”, descreveu a funcionária de um supermercado atacadista. “As pessoas estão comprando muito, não para de sair, algumas coisas já estão em falta”, disse um repositor. “Eu vi duas mulheres no tapa por causa de álcool em gel”, descreveu uma operadora de caixa.

Com carrinho cheio, um homem contou que costuma comprar marmita, mas por receio que os preços aumentem e os alimentos faltem, resolveu fazer um estoque. Na ocasião, optou por alimentos não perecíveis. “Detalhe, minha esposa fez uma compra também”, disse.

Em um supermercado na avenida Miguel Sutil, uma mulher fazia compras de máscara. Em breve conversa, ela relatou que tem imunidade baixa e estava pegando produtos para o período de somente uma semana.

O secretário de Planejamento do Município, Jesus Lange Adrien Neto, fazia compras de máscara para se prevenir. “É uma questão de responsabilidade de todos nós. Temos que continuar seguindo as regras, as normas que são ditas não só em nível nacional. Cada cidadão tem que fazer sua parte, zelar pelos mais idosos”, relatou.

“Como sou sozinho, vou fazer uma compra para passar a semana e não ficar me expondo“, ponderou.

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL) orientou que os mercadistas limitem a quantidade de produtos por pessoa. Da mesma forma a entrada de consumidores dentro do estabelecimento, no sentido de não haver aglomerações, como nos supermercados, por exemplo.

Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) ressaltou que não é momento para pânico, pois não há risco de falta de alimentos nas lojas. Ponderou que a população não precisa se preocupar, já que os supermercados estão preparados, inclusive, para aumentar o abastecimento, caso necessário.

“É um momento em que é preciso equalizar todos os pontos, visando não deixar chegar ao caos. Trata-se de um processo também de reeducação de hábitos, importante seguir os protocolos do Ministério da Saúde e encontrar ações que minimizem os impactos na economia e que preserve, principalmente, a saúde do cidadão”, diz trecho da nota.

Números aumentam em Mato Grosso

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) notificou, nesta quarta-feira (18), outras duas suspeitas de coronavírus em Mato Grosso. Atualmente, há 25 casos suspeitos monitorados no Estado, sendo dois confirmados por hospitais particulares. Ambos casos aguardam contraprova para serem reconhecidos pelo Ministério da Saúde.

As ocorrências que levantam a suspeita do COVID-19 estão em Lucas do Rio Verde (1), Aripuanã (2), Araputanga (4), Cuiabá (6), Nova Xavantina (2), Rondonópolis (4), São José do Rio Claro (1), Sinop (1), Ipiranga do Norte (1), Campo Verde (1), Campo Novo do Parecis (1) e Cáceres (1).

Os pacientes apresentam sintomas relativos à doença respiratória e possuem histórico de viagem para locais onde há a circulação do novo vírus ou estabeleceram contato com casos suspeitos ou confirmados.

Até o momento, as equipes de vigilância monitoraram um total de 49 ocorrências em Mato Grosso. De acordo com a Nota Informativa da Secretaria de Estado, sete casos foram descartados e 17 foram excluídos por não preencheram critérios de definição de caso para COVID-19.

Conforme a área técnica, o sistema de informação oficial segue instável, o que justifica a possibilidade de os dados estarem discordantes daqueles apresentados pela plataforma do Ministério da Saúde.

Confirmações extraoficiais

A Nota Informativa nº 14 também esclarece que os dois casos suspeitos que apresentaram diagnóstico em laboratório privado, nos municípios de Cuiabá e Rondonópolis, aguardam a realização de exames de contraprova no Laboratório Central (Lacen) – para validação do resultado divulgado – ou a apresentação da documentação comprobatória dos laboratórios de referência nacional, que pode validar as análises.

O documento ainda apresenta a atualização da definição de caso para o estado, conforme direcionamento do Ministério da Saúde; o protocolo deverá impactar no aumento de casos suspeitos em todo o país.

FONTE: OLHARDIRETO

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