Dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT), acostumados com denúncias externas de corrupção, terão de enfrentar um verdadeiro ‘fogo amigo’ nas próximas semanas. Isto porque militantes que saíram derrotados das eleições internas da sigla deste ano descobriram uma série de irregularidades nas votações, que incluem a existência de um ‘defunto eleitor’ na lista de presença de filiados. A acusação foi feita em pedido de impugnação do pleito encaminhado à Comissão Executiva do partido na última sexta-feira (13).

Integrantes da tendência ‘Plenária Livre’, que saíram derrotados pela tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), dizem que um homem morto em 2016 ‘assinou’ a lista de votação no município de Juruena. Os militantes também afirmam que as assinaturas da lista de presença foram fraudadas por duas ou mais pessoas. Além da lista de presença fraudada em Juruena, os militantes também citam o transporte ilegal de filiados em Cuiabá até os locais de votação, situação que teria sido testemunhada por fiscais, mesários e componentes das chapas que participaram do pleito. 

Os petistas também dizem que houve a totalização dos votos nas chapas nacionais e estaduais vindos de municípios que não enviaram a lista de votantes. A maior parte dos municípios teria enviado apenas boletim de urna, sem o nome e a assinatura do responsável pelo preenchimento do documento. Outro erro citado teria sido a totalização e o envio dos resultados recebidos dos municípios ao Diretório Nacional fora do prazo regulamentar definido pelo próprio regimento do partido.

Defunto eleitor 

Rivais da CNB estranharam os dados da lista de votação quando perceberam que 72 filiados estavam aptos a votar, dos quais 70 votaram nas chapas estaduais e nacionais. 

Partido tenta escolher representantes entre duas chapas no Estado e disputa está muito acirrada

Desta lista nenhum voto em branco ou nulo foi registrado. O que representou um comparecimento de 97% dos filiados. “Na lista de votação é perfeitamente possível constatar que a maioria absoluta das assinaturas foram feitas por uma ou duas pessoas dado ao padrão das caligrafias que se repete nome após nome”, diz trecho da justificativa da impugnação. Uma assinatura, porém, chamou ainda mais atenção dos adversários da CNB. O filiado Luridias Sinhorim Damasio Silveira, de Juruena, morreu no dia 19 de janeiro de 2016 e, mesmo assim, aparece como sendo um dos eleitores no pleito interno do PT mato-grossense. O pedido também cita irregularidades em Terra Nova do Norte e Colíder. Nesta primeira cidade houve um comparecimento de 100% dos filiados, sem que a lista de votação tenha sido enviada a Comissão Executiva. 

Em Colíder, a suspeita é de que filiados tenham sido ‘coagidos’ a votar na CNB por conta de mensagens no quadro negro de uma das salas de aula onde a votação ocorreu. No caso da não aceitação da impugnação, os petistas pedem que as chapas concorrentes montem uma comissão para analisar as denúncias.’O que o PT não pode é desprezar denúncias tão graves, em uma eleição com resultados tão estranhos’, diz o trecho final do documento.

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