Metade dos adultos com TDAH preenche critérios para o Transtorno Bipolar.

Embora o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) seja mais prevalente na infância, a condição pode persistir na vida adulta em cerca de dois terços dos casos. E isto está cada vez mais evidente. Estudos mostram que o TDAH pode afetar cerca de 5% dos adultos na população em geral.

Além disto, em cerca de 75% dos pacientes, o TDAH costuma estar associado a outros transtornos psiquiátricos, como o transtorno bipolar (TB), presente em até metade dos casos de TDAH, segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de Bergen, na Noruega.

Mas, como diferenciar um quadro de TDAH do espectro bipolar, uma vez que muitos sintomas são parecidos? Desatenção, agitação psicomotora, pensamentos acelerados, impulsividade e alterações no humor são características comuns em ambos as condições, por exemplo.

Para Thaís Quaranta, psicóloga e neuropsicóloga, Coordenadora da Pós-Graduação em Saúde Mental e Psicopatologia na Infância e Adolescência da APAE-SP, alguns sintomas que poderiam ser atribuídos ao TDAH são incluídos nos critérios de diagnóstico do espectro bipolar. O contrário também pode acontecer. Em ambos os casos, o paciente acaba prejudicado e privado de um tratamento que poderia melhorar sua qualidade de vida.

TDAH em adultos: sim ou não?

“É importante dizer que muitos adultos usam estratégias compensatórias para lidar com os sintomas do TDAH ao longo da vida. Normalmente, são pacientes que recebem o diagnóstico tardio. Dependendo do caso, isto pode também se aplicar ao espectro bipolar, principalmente depois da mudança dos critérios de diagnóstico. Na nova classificação, foram incluídas a ciclotimia e outras formas mais brandas da doença, que prejudicam menos o funcionamento. Este é um aspecto que pode levar a um diagnóstico tardio”, explica Thaís.

O diagnóstico e o tratamento de pacientes com ambos os diagnósticos, TDAH e TB, constituem-se em verdadeiros desafios na prática da psiquiatria. Porém, é fundamental levar em consideração que estes pacientes precisam de uma mais atenção, principalmente no que diz respeito à terapia medicamentosa.

“Isto porque os psicoestimulantes, indicados para tratar os sintomas do TDAH, podem piorar as manifestações do espectro bipolar, assim como alguns medicamentos usados para tratar o transtorno bipolar também podem piorar os sintomas do TDAH”, comenta a psicóloga.

“O mais importante é entender que, nos dois casos, o paciente irá responder mal aos tratamentos. Isto significa que grande parte não irá aderir e a outra parte irá abandonar o tratamento, empobrecendo a resposta terapêutica e agravando os prejuízos em todas as áreas da vida”, ressalta Thaís.

Psicoterapia é indicada em ambos os quadros

Se por um lado o tratamento medicamentoso precisa ser mais cuidadoso nos quadros de TDAH com TB, a recomendação para psicoterapia contribui para a melhora dos dois transtornos. Além do acompanhamento com um psiquiatra, é importante que o paciente procure fazer psicoterapia, participar de grupos de pacientes, ler a respeito do seu diagnóstico, assim como adotar hábitos mais saudáveis.

“Dormir bem, praticar uma atividade física regular, comer menos carboidratos e doces e evitar fatores que podem desencadear crises ou piorar alguns sintomas são exemplos de hábitos que devem ser incluídos no tratamento destes dois transtornos psiquiátricos. Uma das abordagens psicoterápicas mais indicadas é a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC)”, finaliza Thaís.

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