Londres – Uma brasileira que recebeu um transplante de útero de uma doadora morta deu à luz a uma menina, no primeiro caso bem-sucedido deste tipo, disseram médicos.

O caso, relatado no periódico médico The Lancet, envolveu a ligação de veias do útero da doadora a veias da receptora, além de artérias, ligamentos e canais vaginais.

Dez casos anteriores de transplante de útero de uma doadora morta nos Estados Unidos, na República Tcheca e na Turquia não resultaram no parto de um bebê vivo.

A menina brasileira nasceu via cesariana, com 35 semanas e três dias de vida, pesando 2,550 quilos, segundo o estudo de caso.

Dani Ejzenberg, médico do hospital da Universidade de São Paulo (USP) que liderou a pesquisa, disse que o transplante – realizado em setembro de 2016 quando a receptora tinha 32 anos – mostra que a técnica é viável e que pode dar às mulheres que sofrem de infertilidade uterina acesso a um banco maior de doadoras em potencial.

A norma atual para o recebimento de um transplante de útero é que o órgão venha de uma parente viva disposta a doá-lo.

“O número de pessoas dispostas e comprometidas a doar órgãos após a morte é muito maior do que o de doadores vivos, o que cria o potencial de uma população de doadores muito mais ampla”, escreveu Ejzenberg em comunicado sobre os resultados.

Ele acrescentou, entretanto, que os resultados e efeitos de doações de útero de doadoras vivas e mortas ainda têm que ser comparados, e disse que a técnica ainda pode ser refinada e otimizada.

O primeiro bebê nascido após um transplante de útero de uma doadora viva aconteceu na Suécia em 2013. Até hoje, cientistas relataram um total de 39 procedimentos do tipo, que resultaram em 11 partos de bebês vivos.

Especialistas estimam que a infertilidade atinge de 10 a 15 por cento dos casais em idade reprodutiva em todo o mundo. Deste grupo, cerca de uma a cada 500 mulheres tem problemas uterinos.

Antes de os transplantes de útero se tornarem possíveis as únicas opções para estas mulheres eram a adoção ou o uso de barrigas de aluguel.

No caso brasileiro, a receptora nasceu sem útero devido a uma doença conhecida como síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser. A doadora tinha 45 anos e morreu devido a um derrame.

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